RESERVAS EXTRATIVISTAS NA AMAZÔNIA: UMA VISÃO DOS ATORES POR MEIO DO DISCURSO DO SUJEITO COLETIVO

Neima Quele Almeida da Silva, Carlos André da Silva Müller

Resumo


Este artigo teve como objetivo analisar como grupos de atores sociais distintos interpretam a institucionalização de Reservas Extrativistas (RESEX) apreciada do ponto de vista de uma política pública de conservação da biodiversidade. Foram considerados os extrativistas e os representantes de organizações que giram em torno das RESEX, diferenciadas em governamentais e não governamentais. Como referencial teórico, considerou-se a abordagem institucional e da sociologia organizacional. Metodologicamente, utilizou-se o Discurso do Sujeito Coletivo (DSC) como forma de compreender o discurso de ambos os grupos no que se refere a definição de extrativismo, desenvolvimento e sustentabilidade. Os resultados apontam para discursos bastante distintos, sendo que os extrativistas relacionam suas atividades como meio de sobrevivência, com pouca conotação ambiental. Por outro lado, os representantes das organizações governamentais demonstram ter um discurso politicamente correto, mas com pouca eficácia na gestão ou apoio às RESEX. As organizações não governamentais, por sua vez, encontram-se em uma posição intermediária, ora aproximando-se dos extrativistas ora das organizações públicas. Conclui-se que esse descompasso reflete negativamente na gestão destas Unidades de Conservação e que a sustentabilidade ainda não tem sido atingida nessas áreas, vez que a baixa renda tem feito extrativistas optarem por manejos florestais, cada vez mais frequentes.

Palavras-chave


Extrativismo, desenvolvimento, sustentabilidade, institucionalismo, sociologia econômica.

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DOI: http://dx.doi.org/10.17765/2176-9168.2017v10n1p191-212

Revista em Agronegócio e Meio Ambiente
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