DESEMPENHO DE LONGEVOS CAIDORES E NÃO CAIDORES NA AVALIAÇÃO DO TIMED UP AND GO UTILIZANDO UM APLICATIVO DE SMARTPHONE

Gabriela Guimarães Oliveira, Márcio Sarroglia Pinho, Ângelo José Gonçalves Bós

Resumo


Este estudo tem por objetivo observar o desempenho de longevos caidores e não caidores por meio do teste Timed Up and Go (TUG) utilizando um aplicativo de smartphone (Mobility Suite®). Participaram longevos (≥90 anos), de Porto Alegre (RS), acompanhados em domicílio. Cada longevo realizou o TUG utilizando um smartphone com sistema operacional Android que foi colocado em uma cinta elástica com velcro e preso no peito, na altura do esterno. Assim, parâmetros das fases individuais do teste foram fornecidos pelo aplicativo, sendo eles: a) duração total do TUG em segundos; b) duração da transição de sentado para em pé em segundos; c) duração da transição de pé para sentado em segundos; d) variação máxima do ângulo do tronco na fase de inclinação para frente em graus e; e) velocidade angular máxima durante a fase de inclinação para frente em graus/segundos. Análise de variáveis sociodemográficas e clínicas, presença de multimorbidades e polifarmácia e variáveis relacionadas às quedas foram utilizadas para comparações. Dos 98 avaliados, 26,5% referiram quedas nos últimos seis meses. Longevos caidores apresentaram mais sintomas depressivos (p<0,001). Caidores apresentaram pior desempenho em cada uma das fases do TUG de acordo com o aplicativo. O aplicativo de smartphone Mobility Suite® foi capaz de avaliar o desempenho de longevos caidores e não caidores por meio do tempo do TUG e seus parâmetros. A depressão mostrou-se a única variável estatisticamente significativa, indicando que longevos com sintomas depressivos apresentam mais chances de cair. Este foi o primeiro relato da utilização do MobilitySuite® em longevos. O aplicativo mostrou-se útil para utilização no ambiente domiciliar, podendo ser utilizado em investigações futuras.

Palavras-chave


Idoso de 80 anos ou mais; Acidentes por queda; Tecnologia. Saúde Pública.

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DOI: http://dx.doi.org/10.17765/2176-9206.2019v12n2p385-397

Saúde e Pesquisa
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