IDENTIFICAÇÃO DE NEAR MISS MATERNO EM UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA

Edson Luciano Rudey, Lúcia Elaine Ranieri Cortez, Mirian Ueda Yamaguchi

Resumo


O objetivo deste estudo foi identificar os casos de near miss materno e listar indicadores de saúde entre pacientes internadas em Unidades de Terapia Intensiva - UTI. Trata-se de estudo transversal retrospectivo realizado na 15ª Regional de Saúde de Maringá-PR. Constatou-se que houve 37 internamentos, dos quais, 16 foram casos de near miss e três de morte materna. As principais complicações foram as doenças hipertensivas (45%), complicações pulmonares (31%) e hemorrágicas (24%). O procedimento invasivo mais realizado foi a transfusão de hemácias em 51% dos casos. Os casos de morte materna tiveram o maior número de critérios identificadores de near miss. A identificação em conjunto dos casos de near miss materno e morte materna pode melhorar o monitoramento dos cuidados obstétricos, tratando-se de um instrumento útil e viável a ser usado pelos comitês de mortalidade materna.

Palavras-chave


Near miss; Unidade de terapia intensiva; Mortalidade materna; Complicações na gravidez; Saúde materna

Texto completo:

PDF

Referências


AMARAL, E.; SOUZA, J. P.; SURITA, F.; LUZ, A. G.; SOUSA, M. H.; CECATTI, J.G, et al. A population-based surveillance study on severe acute maternal morbidity (near-miss) and adverse perinatal outcomes in Campinas, Brazil: the Vigimoma Project. BMC Pregnancy Childbirth, v.22, n. 11, p. 9-17, 2011.

BRASIL. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IBGE. Sistema IBGE de Recuperação Automática. Banco de Dados Agregados. Estatística do Registro Civil. Tabela 2679. Disponível em: . Acesso em: 19 fev. 2014.

BRASIL. Ministério da Saúde. DATASUS. Informações de Saúde. Painel de Monitoramento da Mortalidade Materna. Brasília (DF): Ministério da Saúde. Disponível em: . Acesso em: 19 fev. 2014.

BRASIL. Ministério da Saúde. DATASUS [Internet]. Informações de Saúde. Demográficas e Socioeconômicas. População Residente: Paraná: Regional de Saúde: Maringá - 2012. Brasília (DF): Ministério da Saúde. Disponível em: http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/tabcgi.exe?ibge/cnv/popPR.def. Acesso em: 19 fev. 2014.

DE SOUZA, M. A.; DE SOUZA, T. H.; GONÇALVES, A. K. Fatores determinantes do near miss materno em uma unidade de terapia intensiva obstétrica. Rev Bras Ginecol Obstet. v.37, n.11, p. 498-504, 2015.

DONATI, S.; SENATORE, S.; RONCONI, A. Regional maternal mortality working group. Maternal mortality in Italy: a record-linkage study. BJOG, v. 118, n. 7, p. 872-79, 2011.

DONATI, S.; SENATORE, S.; RONCONI, A. Obstetric near-miss cases among women admitted to intensive care units in Italy. Acta Obstet Gynecol Scand Suppl, v.91, n. 4, p. 452-457, 2012.

GERDTS, C.; VOHRA, D.; AHERN, J. Measuring unsafe abortion-related mortality: a systematic review of the existing methods. PLoS One, v.8, n.1, e53346, 2011.

HOGAN, M. C.; FOREMAN, K. J., NAGHAVI, M.; AHN, S. Y.; WANG, M.; MAKELA, S. M. et al. Maternal mortality for 181 countries, 1980-2008: a systematic analysis of progress towards Millennium Development Goal 5. Lancet, v.12, n. 375, n. 9726, p. 1609-1623, 2010.

HORON, I. L. Underreporting of maternal deaths on death certificates and the magnitude of the problem of maternal mortality. Am J Public Health, v. 95, n. 3, p. 478-82, 2005.

JABIR, M.; ABDUL-SALAM, I; SUHEIL, D. M.; AL-HILLI, W.; ABUL-HASSAN, S.; AL-ZUHEIRI, A. et al. Maternal near miss and quality of maternal health care in Baghdad, Iraq. BMC Pregnancy Childbirth, v.16, n.13, p.11-19, 2013.

KHAN, K. S.; WOJDYLA, D.; SAY, L.; GÜLMEZOGLU, A.M.; VAN LOOK, P. F. WHO analysis of causes of maternal death: a systematic review. Lancet, v. 367, n. 9511, p. 1066-74, 2006.

LAWTON, B.; MACDONALD, E. J.; BROWN, S. A.; WILSON, L.; STANLEY, J.; TAIT, J. D.; DINSDALE, R. A.; COLES, C. L.; GELLER, S. E. Preventability of severe acute maternal morbidity. Am J Obstet Gynecol, v. 210, n. 6, p. 557, e1-6, 2014.

LINDQUIST, A.; KNIGHT, M.; KURINCZUK, J. J. Variation in severe maternal morbidity according to socioeconomic position: a UK national case-control study. BMJ Open, v.20, n.3, p. 6-17, 2013.

LOTUFO, F. A.; PARPINELLI, M. A.; HADDAD, S. M.; SURITA, F. G.; CECATTI, J. G. Applying the new concept of maternal near-miss in an intensive care unit. Clinics, v. 67, n. 3, p. 225-30, 2012.

MASWIME, S.; BUCHMANN, E. J.. Why women bleed and how they are saved: a cross-sectional study of caesarean section near-miss morbidity. BMC Pregnancy Childbirth, v. 9, n. 17, p. 1-5, 2017.

OLIVEIRA, F. C. JR.; COSTA, M. L.; CECATTI, J. G.; PINTO E SILVA, J. L.; SURITA, F. G. Maternal morbidity and near miss associated with maternal age: the innovative approach of the 2006 Brazilian demographic health survey. Clinics, v.68, n.7, p. 922-7, 2013.

OLIVEIRA, L. C.; COSTA, A. A. R. Fetal and neonatal deaths among cases of maternal near miss. Rev Assoc Med Bras, v. 59, n. 5, p. 487–494, 2013.

OLIVEIRA, L. C,; DA COSTA, A. A. Maternal near miss in the intensive care unit: clinical and epidemiological aspects. Rev Bras Ter Intensiva, v. 27, n. 3, p. 220-7, 2015.

OUD, L..Epidemiology of Pregnancy Associated ICU Utilization in Texas: 2001 - 2010. J Clin Med Res, v. 9, n. 2, p. 143-53, 2017.

PÉREZ, A.; BACALLAO, J.; ALCINA, S.; GÓMEZ, Y. Severe maternal morbidity in the intensive care unit of a havana teaching hospital, 1998 to 2004. MEDICC Rev, v. 10, n. 3, p. 17-23, 2008.

POLLOCK, W.; ROSE, L.; DENNIS, C. L. Pregnant and postpartum admissions to the intensive care unit: a systematic review. Intensive Care Med, v. 36, n. 9, p. 1465-74, 2010.

RIOS, F. G.; RISSO-VÁZQUEZ, A.; ALVAREZ, J.; VINZIO, M.; FALBO, P.; RONDINELLI, N. et.al. Clinical characteristics and outcomes of obstetric patients admitted to the intensive care unit. Int J Gynaecol Obstet, v.119, n. 2, p. 136-40, 2012.

SOUSA, M. H.; CECATTI, J. G.; HARDY, E. E.; AMARAL, E.; SOUZA, J. P. D. E.; SERRUYA, S. Health information systems and surveillance of severe maternal morbidity and maternal mortality. Rev Bras Saúde Matern Infant, v. 6, n. 2, p.161-168, 2006.

SOUZA, J. P.; CECATTI, J. G.; FAUNDES, A.; MORAIS, S. S.; VILLAR, J.; CARROLI, G. et al. Maternal near miss and maternal death in the World Health Organization’s 2005 global survey on maternal and perinatal health. Bull World Health Organ, v. 88, n. 2, p. 113–9, 2010.

SOUZA, J. P.; CECATTI, J. G.; HADDAD, S. M.; PARPINELLI, M.A.; COSTA, M. L.; KATZ, L. et al. The WHO maternal near-miss approach and the maternal severity index model (MSI): tools for assessing the management of severe maternal morbidity. PLoS One, v. 7, n.8, p. 44129, 2012.

TOGAL, T.; YUCEL, N.; GEDIK, E.; GULHAS, N.; TOPRAK, H. I.; ERSOY, M. O. Obstetric admissions to the intensive care unit in a tertiary referral hospital. J Crit Care, v. 25, n. 4, p. 62-68, 2010.

TUNCALP, O.; HINDIN, M. J.; SOUZA, J. P.; CHOU, D.; SAY, L. The prevalence of maternal near miss: a systematic review. BJOG, v. 119, n. 6, p. 653-661, 2012.

VENKATESH, S.; CHINMAYI, RAMKUMAR, V.; SHEELA, C. N.; THOMAS, A. Implementation of WHO Near-Miss Approach for Maternal Health at a Tertiary Care Hospital: An Audit. J Obstet Gynaecol Índia, v. 66, n. 4, p. 259-262, 2016.

WANG, Y. Q.; GE, Q. G.; WANG, J.; NIU, J. H.; HUANG, C.; ZHAO, Y. Y. The WHO near miss criteria are appropriate for admission of critically ill pregnant women to intensive care units in China. Chin Med J, v. 126, n. 5, p. 895-898, 2013.

WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO), Department of Reproductive Health and Research. Unsafe abortion: global and regional estimates of incidence of unsafe abortion and associated mortality in 2008. 6th ed. Geneva: Who Health Organization, 2011.




DOI: http://dx.doi.org/10.17765/1983-1870.2017v10n1p145-155

Saúde e Pesquisa
Unicesumar, Maringá (PR), Brasil
Contato: naep@unicesumar.edu.br
ISSN 1983-1870 Impressa
ISSN 2176-9206 On-line

Licença Creative Commons
Este obra está licenciado com uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial 4.0 Internacional.