<b>Aspectos psicológicos em crianças institucionalizadas vítmas de violência doméstica

  • Rute Grossi CESUMAR
  • Luzia Ivonete Zampoli Partala CESUMAR
  • Cristiane Rocha Kaminski CESUMAR
Palavras-chave: violência doméstica, crianças institucionalizadas, desenvolvimento infantil

Resumo

A violência contra a criança é um tema que passou a ser bastante discutido a partir d década de 90, com a criação da Lei Federal 8069 - Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Até essa época, havia pouca preocupação em relação À criança e ao adolescente, que ainda eram vistos como sujeitos de diretos. A violência doméstica traz sérias conseqüências ao desenvolvimento infantil e, em casos graves, a criança é separada da família, sendo encaminhada judicialmente para um abrigo ou outro órgão assistencial. Entretanto, o afastamento dos pais e o rompimento dos vínculos familiares podem tornar ainda maior o sofrimento dessas crianças. O presente estudo busca caracterizar, em relação aos aspectos emocional e comportamental, crianças de 6 a 12 anos institucionalizadas por motivo de violência doméstica. Com os resultados finais espera-se contribuir para maior esclarecimento acerca da saúde mental de crianças institucionalizadas, bem como para a elaboração de estratégias preventivas e qualificação dos profissionais que atuam com essa clientela, visando à melhoria da qualidade de vida das crianças e de sua rede social. Foram identificadas seis crianças abrigadas em uma instituição do Município de Maringá, encaminhadas por motivo de violência doméstica. Para a coleta dos dados foram entrevistadas as funcionárias que realizam atendimento direto às crianças, empregando-se um roteiro de entrevista semi-estruturado, onde se buscou identificar a modalidade da violência sofrida, a situação atual em relação à adaptação e ao relacionamento com as pessoas que trabalham na instituição. Em seguida, aplicou-se a Escala Comportamental Infantil A2 de Rutter, adaptada por Graminha (1994). Pôde-se verificar que entre essas crianças, duas apresentaram traços neuróticos e uma com traços anti-sociais. Três das crianças estudadas revelaram necessidade de um tratamento psicológico ou psiquiátrico. Com relação à modalidade de violência sofrida, a maioria das crianças foi encaminhada ao abrigo devido a abandono, à violência psicológica e à negligência dos pais. De maneira geral, as crianças em questão apresentam uma constituição da estrutura e dinâmica familiar fragilizada por vários fatores, entre eles, sociais, afetivos e econômicos. É fundamental a criação de programas de atendimento multidisciplinar que atuem em conjunto com os abrigos, buscando a promoção da saúde mental da criança e a sua reinserção na família, representando novas possibilidades de busca pela garantia dos direitos fundamentais da infância.

Biografia do Autor

Rute Grossi, CESUMAR
Docente do Curso de Psicologia do CESUMAR
Luzia Ivonete Zampoli Partala, CESUMAR
Acadêmica do Curso de Psicologia do CESUMAR. Bolsista do PROBIC.
Cristiane Rocha Kaminski, CESUMAR
Acadêmica do Curso de Psicologia do CESUMAR.
Publicado
2007-07-19
Seção
Artigos Originais