TRAUMA SOCIAL EM IDADE AVANÇADA

Maria da Luz Cabral, Isabel Oliveira

Resumo


O paradoxo vivido na contemporaneidade permite simultaneamente o convívio entre diferentes gerações, e a potenciação de processos de estigmatização promotores de discriminação. As circunstâncias de violência e exclusão de grande subtileza, a que as pessoas de idade avançada são expostas, têm impactos físicos e psicológicos no seu bem-estar e na sua longevidade. A intensidade da desumanidade neste grupo etário manifesta-se de forma estrutural pela desigualdade social, pela naturalização da pobreza, originando discriminação, de forma interpessoal pela alteração das interações, nas relações sociais quotidianas de forma institucional, na aplicação e ou omissão das políticas sociais. A consignação das pessoas de idade avançada a uma perda significativa de estatuto social e familiar é potenciadora de traumas psicológicos de cariz moral e afetivo, com proporções muito profundas nas vidas deste grupo etário. Ao longo deste artigo serão evidenciadas e discutidas as questões potenciadoras do trauma social nas pessoas de idade avançada, relacionando-as com os processos de economia de mercado provocada pela globalização, que alteraram o modo como estes sujeitos são incluídos e/ou excluídos da sociedade de produção.

Palavras-chave


trauma social; dominância social; inclusão/exclusão

Texto completo:

PDF

Referências


DEBERT, G. G. A reinvenção da velhice: Socialização e processos de reprivatização do envelhecimento. São Paulo: Fapesp, 1999.

GIDDENS, A. Para uma terceira via: a renovação da social-democracia. Lisboa: Presença, 1999.

GOFFMAN, E. Estigma: notas sobre a manipulação da identidade deteriorada. Trad. Márcia Bandeira de Melolo Leite Nunes. Rio de Janeiro: LTC, 1975.

HAN, B. A Sociedade do Cansaço. Trad. Gilda Lopes Encarnação. Lisboa: Relógio d’Água, 2014.

JACOB, L. Animação do Idosos. Porto: Mais Leitura, 2013. (Coleção Geriatria e Gerontologia).

LINK, B.G.; PHELAN, J.C. Conceptualizing stigma. Annual Review of Sociology. New York, 2001, n. 27, p. 363-385. Disponível em: . Acesso em: 14 maio 2017.

OMS. Relatório Mundial de Envelhecimento e Saúde. USA: Organização Mundial de Saúde, 2015. Disponível em: . Acesso em: 14 maio 2017.

PAÚL, C. Envelhecimento activo e redes de suporte social. 2005. Disponível em: . Acesso em: 14 maio 2017.

PRATTO, F.; SIDANIUS, J.; STALLWORTH, L. M.; MALLE, B. J. Social dominance orientation: A personality variable predicting social and political attitudes. Journal of Personality and Social Psychology, v. 67, n. 4, p. 741-763, 1994.

ROKEACH, M. The two value-model of political ideology and a British politics. In: ROKEACH, M. (Ed). Understanding human values: individual and societal. New York: Free Press, 1979. p. 192-196.

SALDANHA, A. L.; CALDAS, C. P. (Org.). A saúde do idoso: a arte de cuidar. Rio de Janeiro: Interciência, 2004.

SELIGMAN, C.; KATZ, A. The dunaics of value systems. In: Seligman, C.; Olson, J.M.; Zanna, M. P. (Ed.). The psycolhology of values, v. 8, p. 53-55, 1996.

SIDANIUS, J.; SIDANIUS, J. Social Dominance: an intergroup theory of social hierarchy and oppression. New York: Cambridge University Press.1999.

STOER, S.; MAGALHÃES, A. A diferença somos nós: a gestão da mudança social e as politicas educativas e sociais. Porto: Afrontamento, 2005.

WILLIAMS, R.M. Change and stability in values and value systems: A sociological perspective. In: ROKEACH, M. (Ed.). Understanding human values: individual and societal. New York: Free Press, 1979. p. 192-196.




DOI: http://dx.doi.org/10.17765/1983-1870.2017v10n3p485-492

Saúde e Pesquisa
Unicesumar, Maringá (PR), Brasil
Contato: naep@unicesumar.edu.br
ISSN 1983-1870 Impressa
ISSN 2176-9206 On-line

Licença Creative Commons
Este obra está licenciado com uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial 4.0 Internacional.