INDICADORES CLÍNICOS DE REFERÊNCIA AO DESENVOLVIMENTO INFANTIL E SUA RELAÇÃO COM FATORES OBSTÉTRICOS, PSICOSSOCIAIS E SOCIODEMOGRÁFICOS

  • Antônia Motta Roth Jobim van Hoogstraten Universidade Federal de Santa Maria
  • Ana Paula Ramos de Souza Universidade Federal de Santa Maria
  • Anaelena Bragança de Moraes Universidade Federal de Santa Maria
Palavras-chave: Desenvolvimento infantil, Psicanálise, Autismo, Relações mãe-filho, Prematuridade

Resumo

Este estudo tem como objetivo relacionar os resultados obtidos por meio do roteiro Indicadores Clínicos de Referência ao Desenvolvimento Infantil (IRDI) com fatores obstétricos, psicossociais e sociodemográficos. Foram acompanhados 25 bebês nascidos pré-termo e 55 nascidos a termo entre os três e nove primeiros meses de vida, enfocando a presença ou ausência de risco psíquico. As variáveis que apresentaram relação com o desfecho presença de risco psíquico foram o bebê ser do sexo masculino, o tipo de aleitamento nos seis primeiros meses ser exclusivo ou acompanhado de fórmula infantil, a mãe não possuir um companheiro que lhe auxilie nos cuidados do bebê, a mãe ter idade entre 20 e 35 anos e o bebê não conseguir dormir sozinho em seu berço ou carrinho aos nove meses. Tais fatores apresentaram-se associados a alterações na relação mãe-bebê, repercutindo no resultado do IRDI, consequentemente, assinalando para possíveis impasses na constituição psíquica e/ou em outros aspectos do desenvolvimento infantil.

Biografia do Autor

Antônia Motta Roth Jobim van Hoogstraten, Universidade Federal de Santa Maria
Doutoranda em Distúrbios da Comunicação Humana pela Universidade Federal de Santa Maria (RS), Brasil.
Ana Paula Ramos de Souza, Universidade Federal de Santa Maria
Doutorado em Lingüística e Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Docente do quadro efetivo do departamento de Fonoaudiologia da Universidade Federal de Santa Maria e nos Programas de Pós-Graduação em Distúrbios da Comunicação Humana e de Psicologia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Brasil.
Anaelena Bragança de Moraes, Universidade Federal de Santa Maria
Doutorado em Epidemiologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Docente adjunto I da Universidade Federal de Santa Maria, Brasil

Referências

Catão I. A linguagem como mistério revelado: voz e identificação nos autismos. In: Jerusalinsky A. (Org.). Dossiê autismo. São Paulo: Instituto Langage; 2015. P. 64-75.

Cullere-Crespin G, Parlato-Oliveira E. Projeto PREAUT. In: Jerusalinsky A. (Org.). Dossiê autismo. São Paulo, SP: Instituto Langage; 2015. P. 436-455.

Kupfer MC et. al. Valor preditivo de indicadores clínicos de risco para o desenvolvimento infantil: um estudo a partir da teoria psicanalítica. Lat. Am. Journal of Fund. Psychopath. 2009; 6(1): 48-68. Disponível em: http://abppparananorte.com.br/wp-content/uploads/2017/11/IRDI.pdf

Kupfer, MC et al. A pesquisa IRDI: resultados finais. In: Lenner R, Kupfer MC (Org.). Psicanálise com crianças: clínica e pesquisa. São Paulo: Editora Escuta, 2008. P. 221-30.

Laznik MC. Diversos olhares sobre o autismo. In: Jerusalinsky A. (Org.). Dossiê autismo. São Paulo: Instituto Langage. 2015; p. 56-61.

Saint-Georges C et. al. Sinais precoces do autismo: de onde vêm? Para onde vão? In: Busnel M-C, Melgaço R. (Org.). O bebê e as palavras: uma visão transdisciplinar sobre o bebê. São Paulo: Instituto Langage; 2013a. p. 49-58.

Saint-Georges C et. al. Do parents recognize autistic deviant behavior long before diagnosis? Taking into account interaction using computational methods. PLOS ONE. Jul. 2013; 6(7): 1-13. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/21818320. doi: 10.1371/journal.pone.0022393.

Sibemberg N. Atenção com o diagnóstico: a suspeita de autismo nem sempre se confirma. In: Jerusalinsky A. (Org.). Dossiê autismo. São Paulo: Instituto Langage; 2015. p. 97-105.

Winicott DW. Textos selecionados: da pediatria à Psicanálise. Rio de Janeiro: Francisco Alves; 1978.

Cavalcanti A. Apresentação e debate em torno da Pesquisa Multicêntrica de Indicadores Clínicos de Risco para o Desenvolvimento Infantil. In: Lenner R, Kupfer MC. Psicanálise com crianças: clínica e pesquisa. São Paulo: Escuta; 2008. p. 51-4.

Crestani A, Mattana F, Moraes A, Souza APR. Fatores socioeconômicos, obstétricos, demográficos e psicossociais como risco ao desenvolvimento infantil. Rev. CEFAC. Jul./Ago. 2013; 15(4): 847-56. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-12822017000200005. doi: 10.7322/jhgd.114483.

Formiga C, Linhares MB. Avaliação do desenvolvimento inicial de crianças nascidas pré-termo. Rev. Esc. Enferm. 2009; 43(2): 472-80. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/reeusp/v43n2/a30v43n2.

Crestani A. Produção inicial de fala, risco ao desenvolvimento infantil e variáveis socioeconômicas, demográficas, psicossociais e obstétricas [dissertação]. Mestrado em Distúrbios da Comunicação Humana: Universidade Federal de Santa Maria: UFSM; 2012.

Jerusalinsky A. Tornar-se sujeito é possível ou impossível para um autista? Quando e quem decide isto? In: Jerusalinsky A. (Org.). Dossiê autismo. São Paulo: Instituto Langage; 2015. p. 22-51.

Kupfer MC et al. Metodologia IRDI nas creches: um acompanhamento do desenvolvimento psíquico na primeira infância. In: Kupfer MC, Szejer M. (Org.). Luzes sobre a clínica e o desenvolvimento de bebês: novas pesquisas, saberes e intervenções. São Paulo: Instituto Langage; 2016. p. 35-46.

Schjolberg S et al. Predicting language development at age 18 months: data from the Norwegian Mother and Child Cohort Study. J Dev Behav pediatr. 2011; 32(5): 375-83. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/21546853. doi: 10.1097/DBP.0b013e31821bd1dd.

Reuner G, Fields AC, Wittke A, Löpprich M, Pietz J. Comparison of developmental Bayley-III and Bayley-II in 7 month infants born preterm. Eur. J. Pediatr. Mar. 2013; 172(3): 393-400. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/23224346. doi: 10.1007/s00431-012-1902-6.

Stephens B, Vohr B. Neurodevelopmental outcome of the premature infant. Pediatr Clin North Am. 2012; 56(3): 631-46. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1519-38292015000100047. doi: 10.1590/S1519-38292015000100004

Vanier C. Os mecanismos operantes no desenvolvimento psíquico do bebê prematuro e os riscos eventuais de patologia. In: Brusnel M-C, Melgaço R. (Orgs.). O bebê e as palavras: uma visão transdisciplinar sobre o bebê. São Paulo: Instituto Langage; 2013; p. 49-58.

Wanderley DB, Weise EBP, Brant JAC. O que há de avaliável No desenvolvimento infantil? Exame e discussão das escalas de avaliação do desenvolvimento infantil mais usadas no Brasil. In: Lerner R, Kupfer MCM. Psicanálise com crianças: clínica e pesquisa. Fapesp/Escuta: São Paulo; 2008.

Carlesso J, Souza A, Moraes A. Análise Da Relação entre sofrimento psíquico materno e índices clínicos de risco para o desenvolvimento infantil. Rev CEFAC. 2014; 16(2): 500-9. Disponível em: http://www.redalyc.org/pdf/1693/169331137017.pdf.

Marin A, Piccinini C. Comportamentos e práticas educativas maternas em famílias de mães solteiras. Psicol. Est. Jan./Abr. 2007; 12(1): 13-22. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1413-73722007000100003&script=sci_abstract&tlng=pt. doi: 10.1590/S1413-73722007000100003.

Cardoso L. Aleitamento materno: uma prática de educação para a saúde no âmbito da enfermagem obstétrica. [dissertação]. Mestrado em Educação: Universidade do Minho; 2007.

Beltrami L, Moraes A, Souza APR. Ansiedade materna puerperal e risco para o desenvolvimento infantil. Distúrb. Comum. Ago. 2013; 25(2): 229-39.

Catão I. O bebê nasce pela boca: voz, sujeito e clínica do autismo. São Paulo: Instituto Langage; 2009. Disponível em: https://revistas.pucsp.br/index.php/dic/article/viewFile/16476/12373.

Elia L. O conceito de sujeito. Rio de Janeiro: Ed. Zahar; 2004

Publicado
2018-11-13
Seção
Artigos Originas - Promoção da Saúde