EFEITO DO VALOR REFORÇADOR DO ALIMENTO EM DIFERENTES TEMPOS DE PRIVAÇÃO ALIMENTAR

  • Vivian Costa Resende Cunha Pontifícia Universidade Católica de Goiás
  • Sônia Maria Mello Neves Pontifícia Universidade Católica de Goiás
  • Renata Mendes de Souza Graduanda em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás
  • Laís Melo Giglio Graduanda em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás
  • Mariana Carvalho Meira Graduanda em Nutrição pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás
  • Kássia Santos Fernandes Graduanda em Nutrição pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás
Palavras-chave: Motivação, Comportamento alimentar, Peso corporal, Privação de alimentos

Resumo

Avaliar o valor reforçador do alimento sob diferentes tempos de privação; até 4 horas (grupo tempo 1 - GT1) e mais de 4 horas (grupo tempo 2 - GT2), em mulheres e homens eutróficos e com excesso de peso, classificados pelo índice de massa corporal (IMC). Foram ouvidos 258 adultos, sendo 126 homens e 132 mulheres (18 - 50 anos), foram divididos em GT1 ou GT2. Após classificarem a fome pela escala analógica visual 100 mm, realizaram um jogo desenvolvido para este estudo (software Food or Fun 1.0), onde deveriam trabalhar para ganhar pontos em alimento ou lazer. Na amostra geral o relato de fome diferiu estatisticamente (p<0,001) entre GT1 (42,4 ± 25,9) e GT2 (60,2 ± 22,4) assim como a pontuação em alimentos (GT1=26,7 ± 23,5; GT2=35,2 ± 23,4; p<0,001), demonstrando uma tendência diretamente proporcional ao tempo de privação em ambos os sexos. Uma correlação negativa significativa foi encontrada entre IMC e pontos em alimentos para a amostra geral (r=-0,16; p=0,013) e do sexo feminino (r=-0,18; p=0,040). O valor reforçador do alimento aumentou concomitantemente com o tempo de privação e IMC apresentou uma correlação inversa à pontuação em alimentos.

Biografia do Autor

Vivian Costa Resende Cunha, Pontifícia Universidade Católica de Goiás
Nutricionista. Doutoranda em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás, Brasil
Sônia Maria Mello Neves, Pontifícia Universidade Católica de Goiás
Docente Titular do curso de Psicologia, Escola de Ciências Sociais e da Saúde da Pontifícia Universidade Católica de Goiás. Doutora em Psicologia Experimental, Brasil.
Renata Mendes de Souza, Graduanda em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás
Graduandas em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás, Brasil.
Laís Melo Giglio, Graduanda em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás
Graduandas em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás, Brasil.
Mariana Carvalho Meira, Graduanda em Nutrição pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás
Graduandas em Nutrição pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás, Brasil
Kássia Santos Fernandes, Graduanda em Nutrição pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás
Graduandas em Nutrição pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás, Brasil

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Publicado
2018-11-13
Seção
Artigos Originas - Promoção da Saúde