REPRODUÇÃO DA HIERARQUIA DE GÊNERO NO ENSINO JURÍDICO: UM NOVO HORIZONTE A PARTIR DA JURISPRUDÊNCIA FEMINISTA DO DIREITO

Palavras-chave: Ensino jurídico, Jurisprudência feminista, Masculinismo

Resumo

O presente artigo tem como objetivo denunciar o direito enquanto um campo masculinista, e como essa lógica se reproduz por meio de um ensino jurídico que se estrutura por um tipo de raciocínio que apaga as práticas discursivas e relacionais das mulheres. Em um primeiro momento, por meio dos ensinamentos de Duncan Kennedy (1984), do Critical Legal Studies (CLS), faz-se uma descrição da forma como o ensino jurídico se opera, em especial, ao denunciar o direito como uma prática engajada sócio, política e economicamente, que se reproduz por intermédio de um sistema hierarquizado dessas categorias expostas. Em seguida, questiona-se se essa pirâmide hierárquica não pressupõe, igualmente, uma assimetria de gênero, que se apreende pela configuração do ensino jurídico como uma prática que reproduz paradigmas falocêntricos, como a argumentação e um repúdio pelo particular, pela experiência e pelo contextual. Nesse ponto, debate-se com fundamento nos escritos da autora estadunidense Carrie Menkel-Meadow (1988). Ao final, realiza-se um exercício imaginativo ao propor possíveis mudanças nesse modelo de ensino hierárquico e marcado pelo olhar masculino.

Biografia do Autor

Anna Laura Maneschy Fadel, Universidade Federal do Pará - UFPA
Docente do curso de Graduação em Direito pelo Centro Universitário do Pará (CESUPA). Doutoranda em Teoria e Filosofia do Direito na Universidade Federal do Pará (UFPA), Programa de Pós-Graduação em Direito (PPGD), Belém (PA), Brasil.
Clara Gianni Viana Costa, Centro Universitário do Pará - CESUPA
Graduada em Direito pelo Centro Universitário do Pará (CESUPA), Belém (PA), Brasil. Advogada.

Referências

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Publicado
2022-04-04
Seção
Doutrinas